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Mensagens para ler
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Antes de tudo: Graça!
Encontro com a Vida

Graça.

 

Talvez você já tenha se acostumado tanto a ouvir esta palavra que ela já não faz mais diferença em sua vida.

 

É só uma palavra. Mais uma palavra. Para alguns, uma doutrina cristã. Algo sobre o qual cantamos e falamos em nossas reuniões. Mas nada além disto.

 

Nada que cause assombro. Nada que surpreenda. Nada que nos comova.

 

Só que alguma vez você já parou para pensar que a graça de Deus, sobre a qual a Bíblia tanto fala, nos foi dada antes dos tempos eternos?

 

Antes da Queda do homem. Antes que o homem se afastasse de Deus. Antes de você nascer. Antes de qualquer um nascer. Antes que houvesse homem ou mulher. Antes que Deus dissesse: “Haja luz”. Antes da fundação do mundo. Antes dos tempos eternos.

 

Foi aí que a graça de Deus nos foi dada.

 

E o que é surpreendente é que a Bíblia ensina que nós fomos salvos e chamados por Deus, não segundo as nossas obras, merecimentos, esforços, justiça, piedade, fidelidade, compromissos, sacrifícios, ofertas ou qualquer outra coisa que tenhamos feito ou prometido fazer – até porque nenhum de nós existia ainda – mas, unicamente, conforme a própria determinação e graça de Deus.

 

Deus soberanamente decidiu nos dar a Sua graça.

 

Pense sobre isto.

 

É isto que a Bíblia diz quando afirma que Deus “nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos, e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2 Timóteo 1:9,10).

 

A graça nos foi dada antes dos tempos eternos e foi manifestada, no tempo e na história, quando Jesus veio, viveu entre nós e se entregou na cruz em nosso lugar.

 

Veja que este favor de Deus que nenhum de nós mereceu, merece ou jamais merecerá nos foi dado antes que nós tivéssemos a chance de fazer ou dizer qualquer coisa.

 

Ou seja, antes de qualquer coisa, houve graça.

 

É aí que a Bíblia diz que “não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus” (1 Pedro 1:18-21).

 

O amor de Deus é eterno e o que Jesus fez foi eterno.

 

O Cordeiro, que é o próprio Jesus, diz a Bíblia, “foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).

 

E é por isto que não foi, não é e jamais será nada que eu fiz, faça ou venha a fazer que me torna alguém que recebe esta graça, mas, unicamente, o amor eterno e incondicional de Deus que está em Cristo Jesus.

 

Veja que o que a Bíblia ensina não é que a graça de Deus será dada a quem a buscar e por ela implorar ou suplicar; mas que ela já nos foi dada antes dos tempos eternos.

 

Antes que nós pecássemos e errássemos o alvo de Deus para as nossas vidas. Antes que nós fizéssemos qualquer escolha para o bem ou para o mal. Antes que nós ouvíssemos a Palavra do Evangelho. Antes de tudo e de todos.

 

Antes de tudo, a graça nos foi dada.

 

João, o apóstolo, afirma a mesma verdade quando diz que “nós amamos a Deus porque Ele nos amou primeiro”.

 

Quando nós realmente cremos nisto, o nosso entendimento acerca de muitas coisas começa a mudar. E não há como ser diferente.

 

Por exemplo, para quem crê assim, não cabe mais a pergunta que os discípulos fazem a Jesus, quando vêem um homem cego de nascença, dizendo: “Mestre, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2).

 

Porque o que eles estavam fazendo ali era moralizar o sofrimento daquele homem. E isto, porque, na cabeça deles, o sofrimento não era só sofrimento.

 

No pensamento deles, se você estivesse sofrendo era porque tinha feito alguma coisa errada para merecer isto. Para eles, você estava pagando por algo. E se não fosse você quem tivesse feito alguma coisa, então, certamente, algum antepassado seu tinha que ter feito. Para eles o que funcionava era a lei da causa e efeito. Você fez, você paga.

 

Só que Jesus desmonta todo aquele modo de pensar dos seus discípulos e desmoraliza o sofrimento com uma resposta muito simples: “Nem ele e nem seus pais, mas foi para que nele se manifestassem as obras de Deus” (João 9:3).

 

Jesus nunca tenta explicar o sofrimento, ele apenas vê nele a oportunidade de fazer algo para socorrer quem está sofrendo.

 

E agindo assim, Jesus nos ensina a olhar a vida com os olhos da graça.

 

Porque para Ele a vida não é um acerto de contas. Deus não está fazendo continhas morais, contabilizando nossos erros e acertos. Tudo não é uma questão de justiça. Ao contrário, tudo é uma questão de graça.

 

Até mesmo o salmista, mil anos antes, já havia escrito: “Se tu observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Salmo 130:3,4).

 

E ainda que o sofrimento, como uma realidade presente e constante neste mundo, seja conseqüência da queda do homem, quando ele escolheu se afastar de Deus e seguir os seus próprios caminhos; o fato de alguém estar sofrendo não quer dizer que esta pessoa tenha feito algo errado e esteja pagando por isto.

 

Muito menos ainda, que algum antepassado seu tenha feito algo e ela esteja expiando esta culpa por meio do seu sofrimento. Porque a própria Palavra diz que “o filho não levará a iniqüidade do pai e nem o pai a iniqüidade do filho” (Ezequiel 18:20).

 

Ninguém está pagando pelos seus pecados e muito menos pelos pecados de seus ancestrais.

 

Este é um modo de pensar que não existe no Evangelho de Jesus. Até porque os nossos pecados já foram pagos. E quem os pagou de uma vez por todas e para todo o sempre foi Jesus.

 

Além disto, não há sofrimento neste mundo que possa expiar, cobrir, apagar ou pagar por um único pecado. Jesus precisou tomar o nosso lugar.

 

A Bíblia diz que Jesus se fez pecado por nós, para que nele nós fossemos feitos justiça de Deus. Ele é o sacrifício pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas, ainda, pelos do mundo inteiro.

 

Por isto, não é o nosso sofrimento que nos purifica, é o sangue de Jesus que nos purifica de todo pecado (1 João 1:7).

 

Não são os nossos sacrifícios, ofertas, justiças ou votos que nos purificam diante de Deus, é o sangue de Jesus.

 

Será que nós nos esquecemos disto?

 

A Bíblia diz que “Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o Justo pelos injustos para levar-nos a Deus” (1 Pedro 3:18).

 

E é isto que o Evangelho anuncia.

 

Moralizar o sofrimento é ser cruel com quem já está sofrendo. É colocar sobre quem está sofrendo uma dor a mais além daquela que a pessoa já está sentindo.

 

É aí que a pessoa sofre duas vezes: uma por causa da dor que está sentindo e outra porque fica se culpando por estar passando por aquela dor.

 

A verdade é que nós sofremos, simplesmente, porque estamos no mundo. Um mundo imperfeito; quebrado, doente e caído. Um mundo cheio de cardos e espinhos. Um mundo que jaz no maligno. E, como Jesus mesmo afirmou: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16:33).

 

Neste mundo o sofrimento é uma realidade presente até o dia em que Jesus voltar e criar novos céus e nova terra, onde habita a justiça.

 

Agora, se eu não moralizo mais o sofrimento e nem enxergo mais a vida como um acerto de contas, eu vou começar a parar de julgar as outras pessoas.

 

Em outras palavras, eu vou deixar a posição de juiz moral dos outros e me enxergar lado a lado com eles, necessitado da mesma graça de Deus em minha vida.

 

Porque se antes de tudo houve graça e ela foi dada a todos sem que ninguém a merecesse ou pedisse por ela, quem sou eu para julgar quem quer que seja?

 

O único Juiz dos vivos e dos mortos é Jesus. É Ele quem conhece os segredos dos corações dos homens. É apenas diante dele que todas as coisas estão nuas e patentes.

 

Por isto, ao invés de olhar as pessoas ao meu redor, de cima para baixo, julgá-las e pensar que eu não sou tão pecador como elas, porque eu não faço o que elas fazem ou porque eu faço o que elas não fazem; eu vou aprender com Jesus a começar a olhar para dentro de mim mesmo e reconhecer que se eu disser que eu não tenho pecado, eu estou enganando a mim mesmo e a verdade não está em mim. Mas se eu confessar os meus pecados, Ele é fiel e justo para perdoar meus pecados e me purificar de toda a injustiça (1 João 1:8-10).

 

É só quando eu consigo me olhar e me enxergar como eu realmente sou e quando eu posso ser honesto comigo mesmo e com Deus é que eu começo a experimentar a graça de Deus como realidade presente na minha vida.

 

É só quando eu paro de ver o mundo todo como pecador e passo a me enxergar como pecador. É só quando eu parar de fugir de mim mesmo e começar a fazer a viagem para dentro do meu próprio ser e coração que a verdade vai poder habitar em mim.

 

Eu não sou melhor e nem pior do que ninguém. Eu sou apenas um ser humano quebrado e rachado como qualquer outro que foi alcançado pela misericórdia de Deus.

 

Eu preciso aprender a depender, total e unicamente da graça de Deus em minha vida. Porque saber que, acima de tudo, não depende de quem quer e nem de quem corre, mas de Deus usar de misericórdia precisa me fazer enxergar que tudo é graça.

 

Não é um acerto de contas. É graça. E é totalmente de graça.

 

Pense sobre isto.

 

Paulo Cardoso

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