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Espiritualizei demais a vida sentimental... agora, não consigo namorar ninguém!
Encontro com a vida


Obrigado pela confiança em compartilhar seu coração. Só de poder falar sobre o que nos aflige e inquieta e poder perceber que se é apenas humano; já começamos a nos sentir um pouco melhor.
O pior que pode acontecer é associarmos o que sentimos à algum tipo de culpa ou vergonha. Somos humanos e é humano passar por coisas assim.

A primeira coisa que preciso dizer, é que não há nada errado ou anormal, intrinsecamente, em você não ter um namorado. Uma pessoa pode escolher que não quer namorar e nem por isso ela é doente ou infeliz. Ou, ela pode estar sendo seletiva na sua escolha. Ou, ainda, pode ser algo, meramente, circunstancial; ou seja, no círculo de conhecimento e relacionamentos dela não há ninguém que desperte seu interesse. Isso tudo pode acontecer e não há nada de errado ou anormal nisso. Não é derrota, não é fracasso, não é falta de fé, não é sina, não é doença.

Só é problema, quando você quer namorar, gosta de alguém, este alguém gosta de você; mas você, simplesmente, não consegue por questões que estão acontecendo, unicamente, dentro de você. Só é problema quando isso se torna num problema para você.

Outra coisa, é que não podemos deixar que a opinião, os comentários e as pressões dos outros influenciem nossas escolhas e roubem a nossa paz e alegria na vida. Cada um que viva a sua própria vida e cuide de seus próprios negócios. Porque, no final, quem vai ter que conviver com a escolha que fizemos, somos nós e não eles. O máximo que eles vão fazer, depois, é ficar julgando se escolhemos bem ou mal. Então, faça um favor a si mesma – esqueça-os.

Eu devo dizer que um dos ambientes mais doentes que existe, quando se fala em vida sentimental; infelizmente, são as igrejas. Porque há uma pressão silenciosa para que as pessoas encontrem o seu par. É quase uma obrigação ser casado. As pessoas têm um medo enorme que se alguém não casar logo, acabe “caindo”. E, em nome de se “ficar de pé” (como se essa fosse a definição bíblica de “estar de pé”), tem um monte de gente casada, “caindo”.

Mas, biblicamente, casar ou não é uma escolha estritamente pessoal. É questão de cada um. É questão de consciência. E ninguém tem o direito de se intrometer nesta escolha. Porque quem vai viver com o fruto dela, é quem a fez. Então, por favor, não aceite qualquer tipo de pressão ou cobrança, como se você fosse anormal, ou houvesse algo errado com você, simplesmente, porque você não tem um namorado.

Uma segunda coisa, é que o seu valor está em você mesma. Seu valor, não está no valor que outra pessoa dá a você; mas no valor que você já tem. Lembre-se, que Jesus deu Sua vida para você viver. Você tem algo dentro de si, que ninguém mais em todo mundo tem. Porque, só você é você. E, ninguém é como você.

Quando eu olho para mim; eu percebo que só eu tenho a personalidade, o temperamento, as experiências, os sentimentos, as percepções, a visão, o jeito de ser, os talentos e as características que eu tenho – do modo como eu as tenho. Por isso, ninguém pode ser, tão eu como eu.

Pense nisso em relação a si mesma, agora. E perceba que você precisa se conhecer, se amar e se apreciar. Apreciar seu corpo, sua mente, suas emoções, seu jeito de ser, de andar, de falar, de pensar, de rir, de viver.

O salmista disse, no Salmo 139, que de um modo assombrosamente maravilhoso fui formado, as tuas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem. Pense no que ele estava dizendo: Ele é uma obra de Deus e as obras de Deus devem ser admiradas. E aí ele diz: e a minha alma o sabe muito bem.

O problema é quando não nos sentimos confortáveis conosco mesmos. Nos sentimos menores, desinteressantes, desajustados, deslocados, pedindo desculpas ao mundo por estarmos vivos, como se estivéssemos sempre no lugar errado.

Daí, que algumas vezes o lugar mais seguro que pensamos existir é o do isolamento; o problema é que ele acaba se tornando também um dos mais tristes. Porque uma coisa é estar só, pela força das circunstâncias; ou por escolha, em virtude de algum propósito específico – mas, outra coisa é estar só por não conseguir se abrir para a comunhão com as pessoas que estão à nossa volta.

Talvez o que nos impeça seja o medo de nos ferirmos, o medo de confiar, o medo de nos entregar, o medo de não conseguirmos voltar mais ao esconderijo, o medo de ficarmos expostos, o medo de ficarmos desnudados, o medo de sermos conhecidos, o medo de sermos quem somos.

Mas, quando entendemos que a vida só se vive vivendo; percebemos que viver é uma escolha diária. Eu escolho viver. Deus me dá vida; mas eu preciso escolher vivê-la. Ele me dá uma voz; mas, eu preciso escolher usá-la de um modo positivo e útil.

Bom, eu entendi o sentido do que você disse quando usou a expressão que "quer se resguardar". A questão é quando “se resguardar” torna-se a bandeira da vida de uma pessoa. Como acontece com o pessoal do movimento “quem ama espera”. Porque tudo que vira obsessão acaba se tornando em doença para a alma. Repressão só gera mais pressão. E um dia, essa pressão explode e faz tudo voar pelos ares. Já percebeu como as pessoas que mais são reprimidas; quando explodem, é um estrago de proporções imensas? Ou a pessoa se torna quase dissoluta; ou ela adoece de um modo absurdo. Porque repressão doente só gera mais doença.

Mas, o que a Bíblia ensina é que tudo que não nasce do amor e não flui no amor, nada aproveita. Pode parecer piedade; mas nega-lhe o poder. Fala a língua dos homens e dos anjos; mas é como bronze que soa ou como metal que retine.

Por isso que a proposta de Jesus nunca foi de um moralismo comportamental. Moralismo é aquilo que foi convencionado como aceitável por um determinado grupo social. A questão é que para o moralista, suas regras falam mais alto que a vida e a saúde mental e emocional dos indivíduos.

Jesus não pregou a moral. Ele pregou a fé que opera pelo amor. O fruto do Espírito não é a moral; é o amor. Porque o amor não faz mal ao próximo. E quem ama o próximo, cumpriu toda a lei.

Jesus pregou que tudo que eu quero que o outro me faça, eu devo fazer a ele. Ele pregou que eu viva de um modo generoso, expressando Sua graça, bondade e misericórdia. Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. O que eu não posso fazer é viver de causas e de bandeiras; porque tudo que não nasce como vida dentro de mim, acaba se tornando em morte para mim.

É muito bom você escolher que quer se dar toda, apenas, para a pessoa que você amar de verdade e com quem você escolher compartilhar toda a sua vida. Esse é o ideal e o que deveria acontecer com todos. Mas, isso tem que ser algo natural e sadio. É uma escolha consciente sua. O problema é quando isso se torna numa obsessão e numa regra áurea. Porque aí, aquilo que deveria ser sadio; fruto da minha escolha consciente; vira uma obrigação moral. E quando vira uma questão moral, adoece a alma.

Porque uma coisa é dizer – não - conscientemente, de modo sadio e sensato, porque se quer algo melhor e mais excelente; e outra é viver uma repressão tão grande que a própria alma começa a adoecer. Se por um lado o viver dissoluto, dilui e dissolve a alma de quem se entrega a ele; a repressão coloca a alma num estado de pressão insuportável. Há muitas mulheres e homens, que se pudessem, voltariam atrás nas escolhas que fizeram. Eles viveram de paixões inconseqüentes e de rompantes sentimentais, mas sem usar o bom senso e a sabedoria. A questão é que andar com Deus exige andar com a minha consciência em paz diante dele e fazer minhas escolhas com equilíbrio, sensatez e sabedoria.


Muito mais importante do que aquilo que os outros pensam de nós é o que pensamos de nós mesmos. O mundo inteiro pode achar uma pessoa bonita, mas se ela se achar feia; de que vai adiantar? São os nossos olhos a lâmpada do nosso corpo; e não os olhos de quem nos olha. Porque enquanto não podemos nos olhar e nos aceitar; nos compreender, nos respeitar, gostar de nossa própria companhia, torcer por nós mesmos, fazer o bem a nós mesmos e nos amar de um modo equilibrado e sensato; temos muita dificuldade em deixar que os outros nos amem. É óbvio que não estamos vivendo para nós mesmos; mas Jesus disse para amarmos o outro como amamos a nós mesmos.

Apreciar e respeitar a si mesma, as suas opiniões, os seus pontos de vista, as suas percepções, o seu papo e a sua companhia é algo muito importante. Lembre-se de quem você é filha. Lembre-se de quem deu sua vida por você. Lembre-se quem escolheu você. Pense em como Ele é especial e incomparável e alegre-se porque Ele vê algo em você que talvez você mesma não esteja conseguindo ver.

As pessoas costumam responder a nós da mesma forma como nós nos apresentamos a elas. A lâmpada do corpo são os olhos. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. E se a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas.

O que Jesus estava dizendo é que é o modo como eu olho a vida que determina como eu vou vivê-la. É claro que eu não tenho controle sobre o que vai ou não me acontecer. Tempestades vêm sobre todos, justos e injustos; maus e bons, crentes e descrentes. Mas, o que importa é como eu enxergo o mundo, a história, a vida, as pessoas e a mim mesmo. Será que com os olhos do bem ou do mal, da bondade ou da maldade?

Acho que você precisa desabafar com Deus e colocar tudo que está aí dentro para fora. Também que você precisa começar a perceber as coisas boas que você vê em si mesma, agradecer a Deus por elas e valorizá-las. Isso não é orgulho, é aceitação.

Também penso que você precisa fazer o exercício de falar com as pessoas. Pode parecer difícil, a princípio, mas dê o primeiro passo. Ao invés de olhar para dentro, procurando o que tem a oferecer, olhe para fora. Simplesmente, seja você. Acredite que Deus fez você à imagem e semelhança dele e Ele não fez ninguém vazio por dentro.

Outra coisa é: não procure um namorado. Deixe que as coisas aconteçam. Conheça pessoas, fale com elas, aumente seu círculo de conhecimento; mas, não como quem está, desesperadamente procurando por alguém. Porque quem vive procurando alguém, acaba arrumando tribulação. O livro de Cantares diz: “não desperteis o amor até que ele o queira”. Amar o próximo é um mandamento, chova ou faça sol. Mas, amor romântico, simplesmente, acontece. É óbvio que não acontece, se você fica trancado em casa e não conhece ninguém além do cachorro e do gato. Mas, ou acontece ou não se faz acontecer. Não é algo que a gente se predisponha a fazer; não se planeja, não se predispõe, não se faz a cabeça para acontecer. Em outras palavras, se o amor não despertar; não faça força para despertá-lo. Se gostar de alguém, aproxime-se para conhecer mais; mas faça isso de um modo natural, sadio, respeitoso, sem pressão, sem tornar isso numa questão de vida ou morte. Se acontecer, aconteceu. Se não; é normal, vá em frente. Acontece com todo mundo. Não tem nada haver com você; só não aconteceu e ponto final.

Siga sua vida em paz. Você não tem que viver em agonia. Simplesmente, viva. Não arrume alguém, porque está sozinha. Ou você vai acabar trazendo uma tonelada de problemas para a sua vida. E isso não vale à pena. O aconselhamento do nosso programa na rádio que o diga. Vida a dois não é missão. Vida a dois não é cruz. Não tem que ser. Feliz é quem ainda pode escolher. Ou você gosta ou não gosta. Ou ama ou não ama.

Eu tenho percebido um desespero e uma ansiedade enorme nas mulheres ao meu redor com relação à esta área. É mais ou menos o que a Bíblia disse que aconteceria em Isaías 4. Há mulheres que perderam todo o seu senso de valor e de discrição e estão agindo como nem os homens costumam agir. Mulheres perseguindo homens. Mulheres se oferecendo. Mulheres quase implorando para serem desejadas. Sabe o que isso gera nos homens? Desprezo. Nenhum homem sadio gosta de algo assim.

Faça amigos, viva sua vida; faça coisas que você gosta, alegre-se com as coisas que Deus te permite viver, seja gente. Dê a si mesma a chance de ser gente. Você é humana. Deus criou você assim. Não deixe que as pressões e as cobranças roubem a sua festa. E se o amor despertar, viva-o de um modo simples, descomplicado, sadio, em paz e alegria.

Deus não nos criou para sermos escravos. A fé em Jesus não nos coloca numa camisa de força; mas nos faz livres para ser e para viver. Foi para a liberdade que Ele nos libertou. Nosso relacionamento com Ele, não depende de quem somos, do que fazemos, do que prometemos ou de como nos comportamos. É graça. Graça é favor que não se merece. Você nunca mereceu, não merece e jamais vai merecer. Ele não nos trata segundo os nossos pecados, mas segundo a sua misericórdia. Não é o nosso desempenho. Não são as nossas obras. Não é a nossa capacidade. Não há nada a pagar, nada a comprar, nada a provar, nada a merecer, nada a barganhar. Ele pagou por nós. Ele já consumou. Está feito. Deus estava em Cristo reconciliando consigo os homens. O caminho é Jesus. Ele nos ama. Ele nos escolheu. Somos dele e de suas mãos ninguém pode nos arrebatar.

Viver com este entendimento torna a vida muito mais leve e livre. O jugo de Jesus é suave e seu fardo é leve. Não é o fardo da religião. Não é o fardo da igreja. É o de Jesus. O chamado é para sermos seus amigos. Seguirmos a Ele. Sermos dele. Caminharmos com Ele. É simples e livre assim.

Bom, espero que o que escrevi tenha ajudado você. Se sentir necessidade de procurar uma ajuda psicológica, não se sinta culpada por isso. Mas, ore sobre tudo que escrevi e busque um modo de colocar isso na prática do dia a dia. Acho que já vai ajudar bastante.

Pr. Paulo Cardoso
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